O Chefe de Estado-Maior do Exército Rovisco Duarte entregou, esta quarta-feira, o pedido de demissão, na sequência da polémica em torno do caso de Tancos, dois dias depois da tomada de posse do novo ministro.

De acordo com o que avançou a TVI24, Rovisco Duarte entregou o pedido de demissão ao ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, na manhã desta quarta-feira.
O pedido de demissão do Chefe de Estado-Maior do Exército surge na sequência da polémica em torno do roubo das armas em Tancos, mais concretamente em torno da forma como o material foi recuperado, caso que levou a que Azeredo Lopes apresentasse a demissão da pasta da Defesa na sexta-feira passada.
Para o substituir no ministério, o primeiro-ministro escolheu João Gomes Cravinho. O pedido de demissão do general Rovisco Duarte acontece apenas dois dias depois do novo ministro ter tomado posse.

Em nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa diz ter recebido hoje “uma carta do general Francisco José Rovisco Duarte, que, invocando razões pessoais, pede a resignação do cargo chefe do Estado-Maior do Exército”.
“A carta foi transmitida ao Governo, a quem compete, nos termos constitucionais e da lei orgânica das Forças Armadas, propor ao Presidente da República a exoneração de chefias militares, ouvido o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas”, lê-se na mesma nota.

Também em comunicado, o gabinete do ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, afirmou que o general Rovisco Duarte “pediu, por motivos pessoais” a exoneração do cargo.
Na sequência deste pedido, “foram iniciados os procedimentos adequados com vista à nomeação de um novo Chefe do Estado-Maior do Exército”, como prevê a Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas.
Em 25 de Setembro, recorde-se, a Polícia Judiciária deteve o diretor e outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar, um civil, e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Segundo o Ministério Público, na Operação Húbris, em causa estão “factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”.
O furto de material militar dos paióis de Tancos – instalação entretanto desativada – foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.