A presente campanha europeia do Benfica está muito aquém das expectativas, a nível desportivo e, por consequência, a nível financeiro. Até ao momento, os tetracampeões nacionais só garantiram os 12,7 milhões de euros pela presença na fase de grupos, uma quantia que ainda vai aumentar devido às receitas televisivas (market pool), mas que ficará sempre muito longe do montante embolsado das temporadas anteriores.

Rui Vitória está consciente da importância que os milhões da Champions têm para as contas da SAD mas, como é natural, a sua principal preocupação centra-se na vertente desportiva.

“Quer nos outros anos quer neste, apesar de ser um treinador que normalmente gosta de estar informado e a par de várias áreas da minha atuação, tenho depois de dar prioridade às questões fundamentais. Nas financeiras, quer para o lado positivo quer para o lado menos positivo, não vou pensar”, garante o treinador, de 47 anos, assinalando a importância de vencer hoje pelo sucesso dentro de campo: “É importante porque queremos ganhar e somar pontos. As questões financeiras vêm depois disso e eu, como treinador, tenho é de preparar a equipa da melhor forma. Foco-me somente no jogo… O resto é acessório neste momento.”

Rui Vitória entrou na Luz no verão de 2015, poucos meses após a UEFA e Liga Europeia de Clubes terem chegado a acordo em relação a um aumento significativo das receitas relativas à Liga dos Campeões. Além dos 12,7 milhões já mencionados, os clubes ainda recebem 1,5 milhões por triunfo e 500 mil euros por empate. Já a respetiva qualificação para os oitavos-de-final rende mais 6 milhões de euros, uma verba que as águias garantiram nas duas épocas anteriores. Convém ainda assinalar que as receitas televisivas esta época serão mais baixas pois Portugal tem três equipas a disputar a competição, logo, o bolo será mais dividido.

Mediante estes valores, o técnico, até à data, já foi responsável pela entrada direta nos cofres de 77,3 milhões só na Liga dos Campeões, uma quantia que só será devidamente aumentada caso o Benfica consiga o ‘milagre’ da qualificação.

Desta forma, a SAD encarnada arrisca-se a ter de compensar esta perda, pois é muito provável que as receitas da presente temporada não cheguem a metade das alcançadas em 15/16 e 16/17.

O Benfica também tem a possibilidade de entrar nos 16 avos-de-final da Liga Europa, mas nesta competição as verbas são quase irrisórias quando comparadas com as da Champions. A presença nesta fase da competição vale 500 mil euros; uma eventual passagem aos oitavos-de-final garante mais 750 mil euros. Os semifinalistas ainda poderão contar com mais 1,6 milhões de euros e o vencedor da competição lucrará 6,5 milhões de euros, pouco mais do que o valor pago pela passagem da fase de grupos da Liga dos Campeões. Obviamente, também aqui há uma separação clara entre a vertente desportiva e a financeira, pois um eventual triunfo numa competição europeia não deixa de ser um marco importante para qualquer clube. Aliás, com uma vaga garantida para o vencedor da prova na Champions do ano seguinte, a Liga Europa está mais aliciante.