Cinco anos em Itália, ao serviço de Novara, Udinese e Sampdoria, a somar ao facto de ser companheiro de seleção de Cristiano Ronaldo. Uma combinação perfeita a justificar a atenção da imprensa transalpina em Bruno Fernandes, a iniciar a segunda temporada no Sporting enquanto o ilustre compatriota terminou ligação de nove anos ao Real Madrid para rumar à Juventus.

«Ronaldo precisa de desafios, é um grande profissional, quer provar que mesmo com 33 anos está bem e é capaz de fazer a diferença. Estamos a falar de um campeão», afirmou, ao jornal italiano Tuttosport, o médio leonino, que, em 2012, deixou o Boavista para completar a formação com as cores do Novara, aposta arriscada que resultou em cheio.

«No mundo inteiro é visto como uma estrela, mas no balneário é um homem simples. Não lhe podem é dizer: ‘Isto é impossível’», adiantou, a forma de mostrar que a ambição de CR7 é ilimitada.

O recente Campeonato do Mundo, na Rússia, valeu a Bruno Fernandes, 23 anos, a primeira experiência numa grande competição de seleções.

«Ter Ronaldo como companheiro é uma sorte, é impressionante. Dá sempre o máximo nos treinos», realçou, mais um a alimentar a lenda à volta do cinco vezes Bola de Ouro: «Embora seja difícil melhorar, tal o nível de qualidade que já atingiu, ele vê todos os dias um aspeto em que pode progredir. Se está no topo há tantos anos é também por causa da sua mentalidade. Não é por acaso que conquistou o mundo. É um vencedor.»

Carlos Queiroz, então adjunto de Alex Ferguson no Manchester United, foi o primeiro a revelar que, por vezes, era preciso mandar Ronaldo parar de treinar, sempre o primeiro a chegar e o último a sair.

«Nem sempre o controlei», admitiu, sorridente, referindo-se à convivência na equipa das quinas. «Mas sim, é verdade, normalmente quando eu chegava ao balneário já ele estava no ginásio. E quando estava a sair via-o, por vezes, outra vez no ginásio ou no banho gelado.»

As bolas paradas são uma especialidade de Ronaldo – «só ele podia ter cobrado com aquela frieza e qualidade o livre que deu o empate frente à Espanha», destaca Bruno Fernandes.

«Se fiquei com algum segredo dele? Não, mas fizemos muitos desafios. Se Ronaldo perdeu alguns?  Não me lembro, mas certamente aconteceu algumas vezes. Ele trabalha muito a cobrança de livres», concluiu.