Portugal é o país europeu mais afetado por incêndios, mas não tem uma estrutura profissional especializada para a prevenção e extinção nem programas de prevenção de comportamentos de risco, alertou hoje a organização ambientalista WWF, presente em vários países, como Portugal e Espanha.
No relatório ‘O barril de pólvora do noroeste’, apresentado em Lisboa e em Madrid, a WWF refere que os especialistas apontam, além dos problemas estruturais detetados para todo o noroeste e dos escassos investimentos em prevenção, importantes deficiências na estratégia de extinção. Ao contrário de Espanha e de outros países mediterrâneos, a organização ambientalista salienta que Portugal não possui uma estrutura profissional e especializada dedicada à prevenção e extinção de incêndios, ao mesmo tempo que não têm existido programas de prevenção de comportamentos de risco que incluam formação ou procura de alternativas para o uso generalizado do fogo. Portugal é o primeiro país da Europa e o quarto do mundo com a maior massa florestal perdida, até ao momento, no século XXI, devido, em grande parte, aos incêndios florestais que assolam o país todos os verões. O noroeste ibérico, ou seja, o centro e norte de Portugal, e a Galiza e Astúrias em Espanha, é de longe a área da Península mais fustigada pelos incêndios florestais, que partem de uma combinação letal de fatores: vegetação exuberante, clima cada vez mais seco e quente durante o verão, o forte abandono rural e da floresta e o uso generalizado do fogo como ferramenta.