Nas 23 temporadas que leva como profissional Gianluigi Buffon, um dos melhores guarda-redes de todos os tempos, enfrentou grandes goleadores, mas nunca incluiu Lionel Messi na sua shortlist. Pelo contrário, Cristiano Ronaldo surge sempre destacado, ao ponto de apelidar o avançado do Real Madrid de “assassino”. E este será o maior dos maiores elogios que a mítica estrela da Juventus, de 40 anos, pode fazer ao português que vai enfrentar esta terça-feira (RTP1, 19h45), em Turim, pela sexta vez na sua carreira.

“A Ronaldo tenho uma admiração ilimitada e com o tempo melhorou”, confessou o veterano jogador, numa recente entrevista ao jornal espanhol Marca. Uma “admiração” que também foi comprovada à sua própria custa. Nas cinco partidas oficiais em que se defrontaram foi sempre batido pelo madeirense, sofrendo um total de sete golos. Já em igual número de jogos com Lionel Messi como adversário, sofreu apenas dois e numa única partida. Um dado factual que o levou a diferenciar estas duas lendas do futebol moderno.

“São dois jogadores completamente diferentes. Lionel Messi é um jogador mais completo porque começa de mais longe tem uma grande qualidade técnica e uma visão de jogo que o tornam num construtor, mas também é finalizador”, referiu-se a respeito do argentino, durante uma conferência de imprensa da selecção italiana, no mês passado: “Cristiano Ronaldo, nas últimas épocas, também por causa do passar dos anos, especializou-se e tornou-se num matador junto da baliza e poupa toda sua energia para marcar.”

Um jogo com Ronaldo ficou particularmente atravessado na garganta de Buffon. Precisamente a última partida entre ambos, quando o português apontou dois dos golos da vitória do Real Madrid (4-1) na final da última edição da Liga dos Campeões.

Meses depois, os jogadores reencontraram-se na cerimónia de entrega do prémio da UEFA para o melhor jogador da Europa na temporada 2016-17, que o avançado do Real Madrid levou para casa, e na qual o italiano foi um dos finalistas, a par de Messi. CR7 não resistiu à provocação quando questionado sobre o golo mais especial dos que festejou na competição milionária, onde soma agora 117. “Foi o último que fiz a este velho aqui”, apontando para Buffon.

A verdade é que a fabulosa carreira do guarda-redes italiano nunca o levou a comemorar uma Champions, apesar das três finais que disputou ao serviço da Juventus. Com menos sete anos, Ronaldo leva quatro. Esta poderá ser a sua última oportunidade, depois do desgosto que representou a ausência da Itália do Mundial da Rússia deste Verão.

Pelo caminho terá de novo o Real Madrid e o “assassino” Cristiano, que soma 35 golos esta temporada. “Com esta clareza na hora de marcar só vi Trezeguet. Tive a sorte de jogar contra Ronaldo o brasileiro, com e contra Ibrahimovic, mas Cristiano Ronaldo está a coleccionar recorde atrás de recorde e daí a minha total admiração”, acrescentou Buffon. E para motivar, o italiano recorda as meias-finais da temporada 2015-16, quando, e apesar de Ronaldo (que marcou nas duas partidas da eliminatória), a Juventus conseguiu seguir em frente, acabando apenas travada na final pelo Barcelona (3-1), sem golos de Messi.

O encontro irá reeditar um clássico do futebol europeu, que se iniciou na época de 1961-62 e já teve 19 capítulos, sempre para a Liga dos Campeões/Taça dos Campeões Europeus. O saldo é bastante equilibrado: nove triunfos dos espanhóis; oito dos italianos e dois empates. “O Real Madrid pode ser favorito, mas a eliminatória está em 50% [para cada lado]. Temos de ser ambiciosos”, disse o guardião.