As eleições para a presidência da Associação Académica de Coimbra (AAC) foram hoje suspensas por fortes indícios de fraude eleitoral, revelou o presidente da Comissão Eleitoral. 

Após o encerramento das urnas por volta das 00:00, não chegou a haver qualquer contagem dos votos para as eleições da AAC, que decorreram na segunda e terça-feira, tendo-se decidido suspender o processo eleitoral por “fortes indícios de fraude eleitoral”, informou hoje o presidente da Comissão Eleitoral, Pedro Matos Filipe, em conferência de imprensa, onde estiveram também presentes o presidente do Conselho Fiscal, o presidente da Comissão Disciplinar, bem como os quatro candidatos, que estiveram reunidos antes da conferência.

“Tendo em conta as normas regentes, decidimos suspender o processo eleitoral, ou seja, suspender a contagem até que o Conselho Fiscal se pronuncie acerca desta matéria”, acrescentou Pedro Matos Filipe, recusando-se a avançar com mais pormenores sobre os indícios de fraude, justificando que essa questão será tratada pelo órgão fiscalizador. Segundo o presidente da Comissão Eleitoral, agora pretende-se perceber se será “necessário marcar eleições ou não”, após uma “análise cuidadosa” dos indícios de possível fraude das eleições.

ENCONTRARAM-SE INCONGRUÊNCIAS NO FINAL DA SELAGEM DAS URNAS

Questionado, o presidente da Comissão Disciplinar da AAC, João Leão, referiu que, “no final da selagem (das urnas), encontraram-se incongruências que são bastante complicadas”, sem avançar em detalhe sobre essa questão.

Na mesma conferência de imprensa, o presidente do Conselho Fiscal, Jorge Graça, referiu que este órgão vai reunir durante o dia de hoje e vai avaliar as incongruências verificadas e decidir “se são motivo ou não para impugnar o ato eleitoral”.

Após esse plenário, frisou, o Conselho Fiscal estará “completamente aberto” para esclarecer sobre as suspeitas de fraude eleitoral e o que esteve em causa para serem levantadas essas mesmas suspeitas.

Após a conferência de imprensa, os órgãos da AAC voltaram a reunir-se, para definir, entre outras questões, a guarda das urnas até se decidir se haverá contagem de votos ou se as eleições serão impugnadas.

Esta não é a primeira vez que as eleições da AAC estão envoltas em polémica. Em 2014, a disputa entre Samuel Vilela, candidato derrotado, e Bruno Matias, vencedor, seguiu para o Tribunal, com a juíza a declarar improcedente a providência cautelar contra os resultados de 2013.

No entanto, na altura, o Tribunal Cível de Coimbra não deixou de chamar a atenção para “o modo incipiente, quase doméstico, como decorre todo o ato eleitoral” da AAC, considerando que o processo eleitoral está “envolvido num certo amadorismo”, nomeadamente pela falta de rigor nas horas de abertura das urnas, no preenchimento de atas, no acompanhamento dos elementos da Comissão Eleitoral por membros previamente designados pelas listas, assim como a “forma simples” como são fechadas as urnas e o transporte das mesmas “em carros particulares”.

As eleições para a assembleia magna e direção-geral da mais antiga associação de estudantes do país decorreram na segunda e na terça-feira.

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