Segundo o jornal A Bola, António Magalhães, presidente do Coimbrões, lançou gravíssimas suspeitas sobre o jogo com o Vale Formoso, da 3.ª ronda da Taça de Portugal. Feroz e corrosivo, ainda nos Açores, falou dum «roubo perpetrado por três pessoas que, no mínimo, deviam ser investigadas», associando a arbitragem de Marco Pereira, da AF Aveiro, que expulsou dois jogadores do conjunto gaiense na primeira parte, a «movimentações estranhíssimas em sites de apostas».

«Quando passarmos a agir, a investigar as pessoas, a ver o que fazem e o dinheiro que lhes cai nas contas ou de familiares vamos conseguir mudar alguma coisa. Os inocentes vão servir de exemplo e os que forem culpados vão dentro, vão ser penalizados criminalmente e o futebol português limpa-se de forma fácil», assinalou António Magalhães, não tendo dúvidas de que no Vale Formoso-Coimbrões, encerrado com um 4-3 a favor dos açorianos, após prolongamento, «havia uma vitória que estava encomendada». O dirigente concretiza as acusações.

«Fui avisado da desproporcionalidade das odds, que configuravam alguns desequilíbrios. A vitória do Vale Formoso valia muito dinheiro. Em termos médios, por cada euro na vitória deles recebia-se 17. E noutras casas de apostas, nas quais se podia apostar nos cartões, os vermelhos valiam 1 para 14. Conjugando tudo isto, veja-se do que estamos a falar em termos de ganhos potenciais. Tendo eu tido notícias de que podia haver complicações com apostas e depois de ter visto o que vi… Não há fumo sem fogo, nem nas furnas…», ironiza António Magalhães, não retirando uma vírgula ao teor das acusações: «Vi um jogo que decorria normalmente, estávamos a ganhar por 2-0, e, subitamente, a fechar a primeira parte, o árbitro expulsa-nos dois jogadores com vermelho direto. Já revimos as imagens, até podem dizer que o homem teve um dia mau, mas então que investiguem as razões do dia mau. Estava muito dinheiro em jogo e temos de ter capacidade de analisar melhor o fenómeno das apostas.»

Por isso, o dirigente reclama intervenção da Federação.

«Vamos reportar o que se passou à Federação, que alertou os clubes para estas situações com workshops, vamos apresentar as imagens e citar as odds, até porque eles têm tudo isso monitorizado. Que chamem o árbitro e o questionem. Temos de enfrentar os problemas. Tem havido pouco cuidado», acusa, pedindo justiça: «Os regulamentos podem dizer que não tenho provas, mas tenho o dever de alertar para um conjunto de situações estranhas, até porque as apostas estão a bater em força nas divisões secundárias, onde há menos visibilidade e onde os clubes não se podem defender. Há corrupção em todas as profissões, árbitros incluídos.»