Reunidos esta noite com o Conselho de Arbitragem, os árbitros de 1.ªcategoria decidiram apresentar pedido de dispensa, mas dentro do prazo regulamentar, ou seja para dentro de 20 dias. Desta forma, a jornada do próximo fim de semana decorrerá dentro da normalidade, ficando o pedido de dispensa para ser efetivado na 14.ª jornada da Liga e na 16.ª jornada da Liga 2.

José Fontelas Gomes, líder do Conselho de Arbitragem, teve papel decisivo na reunião desta noite, conseguindo evitar que os árbitros não marcassem presença nos jogos do próximo fim de semana e adiando também a possibilidade de colocar em risco a jornada seguinte, nomeadamente o clássico FC Porto-Benfica.

No entanto, os árbitros deixaram assente que vão fazer uma série de exigências, que, caso não sejam cumpridas, avançarão para uma paragem efetiva da atividade.

Através de comunicado divulgado pela Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), os árbitros de 1.º categoria confirmam a entrega do pedido de dispensa dentro do período regulamentar, conforme adiantado por A BOLA, deixando conjunto de exigências que desejam ver cumpridas para que as dispensas não sejam efetivadas na 14.ª jornada da Liga e 16.ª da Liga 2.

Destaque para o pedido de «total ausência de insinuações, da parte de clubes e agentes desportivos, que coloquem em causa a honra e o bom nome dos árbitros», apontando como exemplo a utilização de expressões como «polvo», «padre», «diácono» ou «apito dourado».

Garante-se mesmo a criação de «um gabinete jurídico específico, destinado a acompanhar e analisar todas as declarações públicas nos diversos órgãos de Comunicação Social, de forma a responsabilizar civil e criminalmente toda e qualquer pessoa que coloque em causa a honra e o bom nome de qualquer agente da arbitragem».

Pelo meio, exige-se «reuniões da APAF e cinco árbitros com o presidente e Direção da Liga, com o objetivo de definir e aprovar um corpo regulamentar que reforce a punição de quem não cumpre as normas éticas e disciplinares», que pretende-se que seja aprovado pela Direção da Liga durante este prazo, e submetido a Assembleia Geral da Liga até 31 de dezembro de 2017.

Eis o comunicado:

Os árbitros C1, assistentes e estagiários decidiram por unanimidade entregar pedidos de dispensa que terão efeito a partir do prazo regulamentar.
A ausência dos árbitros nas competições profissionais será efetiva, nessa data, caso não se verifiquem os seguintes pressupostos:
Total ausência de insinuações, da parte de clubes e agentes desportivos, que coloquem em causa a honra e o bom nome dos árbitros; por clubes e agentes desportivos entendem-se os seus dirigentes, treinadores, jogadores e demais funcionários, os meios de comunicação próprios e aqueles que promovem nas redes sociais;
O período de 20 dias com total ausência de insinuações deve abranger todas estas pessoas e meios. Para que não restem dúvidas, entendemos por insinuações: acusar os árbitros de errarem de forma propositada; acusar árbitros de prejudicarem sempre o mesmo clube; referirem-se, direta ou indiretamente, a qualquer ato não provado de corrupção; aplicar aos árbitros, de forma direta ou indireta, expressões como «polvo», «padre», «diácono» ou «apito dourado», entre outras infelizmente utilizadas por diversos clubes já esta época;

– Durante estes 20 dias exigimos reuniões da APAF e cinco árbitros com o presidente e Direção da Liga, com o objetivo de definir e aprovar um corpo regulamentar que reforce a punição de quem não cumpre as normas éticas e disciplinares a que estão obrigados todos os agentes, tal como sucede, por exemplo, na UEFA;
Este novo corpo regulamentar de normas éticas e disciplinares deverá ser aprovado pela Direção da Liga durante este prazo, e submetido a Assembleia Geral da Liga até 31 de dezembro de 2017, passando a vigorar assim que for regulamentarmente possível.

Consideramos que é equilibrada esta posição dos árbitros, tomada de forma a defender o Conselho de Arbitragem e para bem do futebol português, garantindo a igualdade de direitos entre os clubes e todos os agentes desportivos. Ao mesmo tempo, isto dá à Liga e aos clubes profissionais de futebol tempo suficiente para agir, de forma ponderada mas firme, na defesa das competições em que participam.

Os árbitros são hoje – como sempre foram – sensíveis aos apelos ao bom senso. Mas já não estão disponíveis para continuar a ser os únicos agentes do universo do futebol profissional com bom senso.

Mas ninguém pode ficar com dúvidas: se muita coisa não mudar nos próximos 20 dias, os árbitros não continuarão disponíveis para aceitar que a sua honra e bom nome continuem a ser sistematicamente postos em causa por quem tem por obrigação defender a integridade das competições profissionais. Queremos que seja promovida uma reflexão urgente para bem do futebol português, envolvendo todos os agentes desportivos e demais parceiros, como as associações de classe dos dirigentes, treinadores, jogadores e todas as que fazem parte da indústria do futebol.

As condições de serenidade, respeito e segurança, que são absolutamente essenciais para que os árbitros entrem em campo, estão em crise. Algo tem de ser feito de imediato pelo futebol!

Nesse sentido, a APAF e os árbitros resolveram criar um gabinete jurídico específico, destinado a acompanhar e analisar todas as declarações públicas nos diversos órgãos de Comunicação Social, de forma a responsabilizar civil e criminalmente toda e qualquer pessoa que coloque em causa a honra e o bom nome de qualquer agente da arbitragem.
A APAF oficiará esta quinta-feira a Direção da Liga no sentido de marcar, de forma urgente, a primeira reunião de trabalho com vista a definir e fazer aprovar regulamentos disciplinares que punam verdadeiramente quem não respeita os agentes de arbitragem.