Decorreu este sábado à tarde, no auditório da Fundação INATEL, em Coimbra, uma evocação a Ramalho Ortigão, figura incontornável da cultura portuguesa, autor das “Farpas”, professor e amigo de Eça de Queiroz. Amadeu Carvalho Homem, historiador e professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com uma extensa obra publicada, orientou a sua alocução para “a compreensão da personagem, mais do que para o seu julgamento”, dada a posição titubeante entre a monarquia constitucional, em que Ortigão não acreditava, e a república. Todavia, as relações pessoais de amizade da “Ramalhal figura” com o rei D. Carlos e a aceitação do cargo de bibliotecário real trouxeram-lhe inimizades e cunharam-lhe epítetos de falsário. Carvalho Homem justifica a opção de Ramalho Ortigão com a construção de uma vida movida pelos afetos.

Nascido em 1836, José Duarte Ramalho Ortigão, viveu os sete primeiros anos da sua puerícia na casa de lavoura da sua avó materna. Esta avó viúva administrava a quintazinha de Germalde com o apoio de duas filhas solteiras e do criado Manuel Caetano. O mesmo teto dava guarida à figura venerável de Frei José do Sacramento Lapa, tio-avô e padrinho de José Duarte. E ainda a Manuel Caetano, militar veterano das guerras peninsulares, que deslumbrava o pequeno José Duarte com as suas narrativas bélicas, evocadoras dos tempos em que combatera no Buçaco os franceses invasores. Todos contribuíram para que tivesse uma infância rural e feliz.

O evento contou com apontamentos musicais pelo Coro Misto da Universidade de Coimbra, bem como com um momento final de autógrafos no livro “Ramalho Ortigão: Evolução do seu pensamento político e social”, de Amadeu Carvalho Homem.

Como nota final, Bruno Paixão, diretor da Fundação INATEL em Coimbra, referiu que “tivemos o privilégio de assistir a mais uma brilhante alocução do professor Amadeu Carvalho Homem, que nos prendeu a todos com o seu brilhantismo intelectual, desta feita a um vulto da cultura portuguesa, que é Ramalho Ortigão. A iniciativa é a primeira de uma série que a INATEL está a promover em Coimbra, evocando figuras da literatura e da cultura portuguesa”.

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